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Médico avalia estudo sobre coronavírus

Eduardo Sad acrescenta que isolamento vertical no Brasil é praticamente impossível

Em entrevista concedida à rádio Itatiaia de Belo Horizonte nesta terça-feira (31), o médico do hospital Vera Cruz, Eduardo Sad, avaliou o cenário no Estado diante do novo coronavírus (Covid-19).
O profissional falou ainda sobre um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta que cerca de três milhões de mineiros podem ser infectados pelo novo coronavírus, que atingiria o ápice entre 27 de abril e 11 de maio.
No programa “Conversa de Redação”, em versão especial para o debate da crise provocada pela pandemia da Covid-19, os apresentadores Eustáquio Ramos e Junior Moreira receberam o médico e intensivista Eduardo Sad. “Devemos ter menos casos e nesta semana acredito que vamos ter um aumento, porque vão chegar os resultados dos exames que colhemos há 10 dias.
Estamos com exames pendentes há nove, dez dias. Temos um grupo de coordenadores de UTI e todos estão reclamando que não estamos tendo acesso aos exames. À medida em que forem saindo, vamos ter isso (aumento)”, pondera. O médico aponta que a demora nos exames não é somente na rede pública, mas um problema geral.
Alguns da rede privada conseguem exames mais rápido, entretanto, a Funed demora entre sete a dez dias para entregar, o que dificulta o trabalho dos profissionais. “Sobre o isolamento vertical (em que somente os grupos de risco são isolados), que muito tem sido falado por aí, é muito bonito no papel, mas no Brasil temos famílias morando juntas, crianças que vão para a aula e tem contato com os idosos e não vamos conseguir implantar isso.
O Mandetta (Luiz Henrique, ministro da Saúde) falou muito bem, vamos ter de fazer uma volta gradual, contrabalanceando com os resultados que teremos”, vislumbrou. Idosos No caso do Brasil e da média de idade da população, onde idosos moram com pessoas em constante circulação, seja no trabalho ou na escola, Eduardo Sad aponta que o isolamento é mais complexo.
Situação que não ocorre na Alemanha, por exemplo. “Lá, além de ter muitos testes, tem uma população diferente, as pessoas não moram com os idosos, saem de suas casas e conseguem ter um isolamento vertical, que não é aquele total, mas são mantidos a maioria dos serviços funcionando. No Brasil é impossível fazer isso”, salienta.
Ele acrescenta que, nesse momento, o isolamento vertical não seria adequado. “Esperaria pelo menos mais duas semanas para sentir como vão ser essas variáveis. O isolamento que vamos inteirar em Belo Horizonte já chega a uns 12 dias, em São Paulo demorou mais e no Rio também, e a gente tem que ver se esse isolamento vai pegar.
Como estamos com problemas de exames, não sei como vão ser esses resultados. Só daqui a duas semanas vamos saber. Aí sim, poderemos pensar numa saída gradual. Você vai librando serviços mais essenciais, até que consiga liberar praticamente tudo. Mas acredito que isso ocorrerá lá para junho, julho”, estima. Pico Questionado sobre o que é o pico da epidemia, Eduardo Sad explica que é quando haverá a maior transmissibilidade e maior ocorrência de casos.
O problema é que não se sabe ao certo quando isso ocorrerá, porque não há tanta informação sobre como funciona o coronavírus. “Todos estão baseando em como foi na Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) há 10 anos. Sabemos que até o 14º dia se transmitiu o vírus e aí vão aparecer o sintomas. Testaria e apareceria. Mas temos dois problemas: o teste sai dez dias depois, a mortalidade não fala alguma coisa, porque o paciente que morre de corona morre depois de 10, 14 dias. Alguns menos, mas a média da Itália foi isso, os pacientes ficaram muito tempo na terapia intensiva”, recorda.
Uso da cloroquina em casos de moderado a grave Sobre o uso da cloroquina, regulamentado recentemente, o médico lembrou que no Brasil o que está sendo utilizado é a hidroxicloroquina e somente para o paciente em estado de moderado a grave, e tem que ser iniciado quando o quadro vai ficar grave. “Agora, se funciona ou não, não sabemos totalmente. Num estudo francês observaram que os pacientes foram melhor que aqueles que não foram submetidos ao medicamento. Mas precisa-se ter provas científicas e estamos recomendando um protocolo de estudo e seguindo isso. Essa medicação é feita no hospital, não em casa. Tem que ser prescrita por um médico.
Inclusive, pedimos, se você tem em casa, faça uma doação a um hospital”, alertou.

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