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Governo de Minas admite situação crítica em relação à pandemia

Com ações insuficientes para reduzir a curva de contaminação por covid-19, coronavírus avança três vezes mais no interior de MG

O estado de Minas Gerais não consegue “achatar” a curva de novos infectados pelo coronavírus, que se propaga sem reduzir a velocidade. No interior a velocidade é três vezes maior do que em Belo Horizonte.
O alerta foi feito pelo próprio governo mineiro, em edição especial do “Boletim Epidemiológico e Assistencial da Covid-19” publicado nesta quarta-feira (4).
O documento assinado pelo governador Romeu Zema e pelo secretário de Estado da Saúde, Carlos Eduardo Amaral, faz projeções da quantidade de novos casos da doença e detecta que “não é observada redução da velocidade da pandemia” em relação a estimativas anteriores.
O entendimento dos técnicos do governo é que as comparações com as últimas previsões indicam uma dificuldade recente do estado em conter o avanço do vírus. “Não estamos conseguindo ‘achatar’ a curva de novos casos”, lê-se no boletim. Segundo a avaliação do governo, Minas Gerais “está no início do aumento exponencial no número de casos”. “Desta forma, sugere-se que o incremento de novos casos seja acompanhado diariamente e sejam intensificadas as orientações de prevenção”, dizem os responsáveis pela análise.
A contaminação das pessoas pelo novo coronavírus é considerada inevitável e o que preocupa é o fato de, quantos mais contaminados ao mesmo tempo, maior será a demanda pela parcela da população que terá complicações de saúde com a doença e vai procurar UTIs para serem mantidas vivas.
O secretário de Estado da Saúde, Carlos Eduardo Amaral, faz projeções da quantidade de novos casos da doença e detecta que ‘não é observada redução da velocidade da pandemia’ Dez contaminam outras 14 em MG A escalada de casos tem chamado atenção das autoridades sanitárias. Nesta quarta-feira, Carlos Eduardo Amaral demonstrou publicamente a preocupação com o aumento no R0 (taxa de disseminação do vírus) no estado, que está em 1,42.
Ou seja, cada dez pessoas infectadas transmitem a doença para pelo menos outras 14. “O ideal é que (o R0) fique entre 1 e 1,2”, disse o secretário. Em cidades como Ipatinga, a taxa de infecção é de 1,99 (cada 10 pessoas infecta outras 19). Veja também: Reunião expõe a comerciantes a gravidade dos números de coronavírus em Ipatinga Pico da doença A projeção mais recente publicada no documento foi feita em 27 de maio e estima a quantidade de novos casos de covid-19 para o dia em que o estado atingir o pico da pandemia.
Se o parâmetro utilizado for o comportamento da curva do vírus em Minas Gerais, a previsão é que sejam 2.047 infectados. O número chega a 2.861 se a avaliação for feita com base na tendência do Brasil.
Interiorização é outra preocupação No boletim, o governo do estado também demonstra preocupação com o processo acelerado de interiorização do vírus. Dos 12.010 casos confirmados da doença até essa quarta-feira, 9.981 foram registrados fora de Belo Horizonte.
De acordo com os números oficiais, a covid-19 já chegou a 465 das 853 cidades mineiras (54,5%), várias delas sem estrutura adequada para tratar pacientes. Na região Leste do Estado a situação de Ipatinga, com 260 mil habitantes é considerada muito preocupante.
Reuniões de representantes do estado com os prefeitos das cidades da região já expuseram a preocupação e a saída apontada foi a adoção, pelos prefeitos, de medidas restritivas para circulação de pessoas, com o fechamento do comércio não essencial e a ampliação dos leitos para atender aos pacientes. Além da chegada do vírus a mais municípios, preocupa também a velocidade de propagação da doença no interior. Na terça-feira, o jornal Estado de Minas publicou que, em maio, o coronavírus se disseminou quase três vezes mais fora de Belo Horizonte do que na capital.
“Para além da evolução diária dos casos confirmados, é preciso também acompanhar o processo de ‘interiorização’ e ‘popularização’ da pandemia”, lê-se no documento, que tem, inclusive, uma comparação com São Paulo, estado brasileiro mais atingido pela doença. “Acredita-se que ao alcançar o interior e os aglomerados o número de casos irá aumentar consideravelmente, assim como observado em São Paulo.
A interiorização pode ser mensurada considerando o incremento de casos confirmados ou notificados nos municípios/microrregiões que não são polo de Micro/Macro ou de menor densidade populacional”, diz o boletim.

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