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Como alguém que foi empregado a
vida inteira pode, de repente, se tornar
um investidor?

De todos os erros dos fundos de previdência, o maior deles, na opinião do meu
pai rico, é o fato de que eles fazem com que pessoas que não são investidores
passem a investir da noite pro dia.
Ele dizia: “Como você pode pegar alguém que foi programado a vida toda,
desde que nasceu, para ser um empregado e transformá-lo de repente em um
investidor que assume riscos? Uma pessoa que busca segurança não pode ser
comparada a um investidor que aceita correr riscos.”
Para meu pai rico, essa suposição era o maior erro de todos e poderia no fim
levar ao maior crash de mercado de todos os tempos. Como exemplo ele citava
a ERISA, a reforma trabalhista promovida nos anos 70 nos EUA, que envolve
benefícios como os de previdência, e que praticamente forçou que todas as
pessoas se tornassem investidores especializados de uma hora pra outra.
Os quadrantes
Quem me acompanha conhece o diagrama a seguir, o Quadrante do Fluxo de
Caixa.
Para os que não conhecem o quadrante, vou explicar brevemente o que
significam as quatro letras.
 E é para Empregado
 A é para Autônomo
 D é para Dono de um negócio, uma empresa
 I é para Investidor
Essas são as quatro formas de ganhar dinheiro, ou os quatro tipos de pessoas.
Cada quadrante representa uma forma diferente de pensar com relação a
dinheiro e segurança financeira.
Meu pai rico dizia: “O maior erro da ERISA é que a legislação presume que as
pessoas do lado esquerdo do quadrante podem facilmente migrar para o lado
direito. As pessoas de cada um dos quadrantes são diferentes — muito, muito
diferentes. É absurdo assumir que alguém do quadrante E possa se tornar um
Investidor simplesmente por causa de uma mudança na legislação. Você pode
mudar uma lei com uma canetada, mas não pode mudar as pessoas com uma
canetada.”
Não é possível que a maioria das pessoas se tornem investidores sem que se
desenvolva um sistema educacional que apoie essa monumental mudança.
Os sistemas de educação treinam as pessoas basicamente para os quadrantes
E e A, por isso a maioria está nesses dois quadrantes.
Meu pai pobre, que era professor, constantemente dizia: “Estude, tire boas
notas e assim você pode conseguir um emprego seguro.” Em outras palavras,
meu pai pobre me aconselhava a encontrar um santuário seguro no quadrante
E.
Minha mãe, ciente que eu queria me tornar rico, com frequência dizia: “Eu sei
que você quer ser rico, então faça faculdade de medicina e se torne médico.”
Ela estava me aconselhando a encontrar um santuário no quadrante A.
Minha resposta para ela era: “Há só um problema com essa ideia, mãe. Eu
teria que ser inteligente para ser médico, e você conhece minhas notas.”
Os quadrantes E e A
O quadrante A pode ser considerado o quadrante inteligente, já que é onde se
encontram profissionais como médicos, advogados, contadores e engenheiros,
apesar que qualquer profissão ou qualquer pessoa com qualquer nível de
inteligência pode se encaixar em qualquer um dos quadrantes.
O quadrante A também é geralmente onde os especialistas estão, pessoas
com habilidades únicas, assim como donos de pequenos negócios
independentes.
Meu pai rico treinou seu filho, Mike, e eu para nos tornarmos pessoas dos
quadrantes D e I. Vocês que já leram meus livros devem se lembrar que meu
pai rico fazia com que Mike e eu fizéssemos todo tipo de trabalho possível na
sua loja.
Ele estava nos treinando para conhecer os diferentes tipos de funções que é
preciso desempenhar para comandar um negócio próprio. Ele também jogava
Banco Imobiliário com a gente, nos ensinando a pensar como investidores.
Uma das principais razões que me fez ter um trabalho tradicional por apenas
quatro anos é que meu pai rico me treinou para atuar no lado direito do
quadrante, não no esquerdo.
Quando eu ainda era criança, meu pai rico disse: “As pessoas gravitam entre
os diferentes quadrantes porque elas são pessoas diferentes. Uma pessoa que
busca estar no quadrante E deseja estabilidade, segurança.”
É por isso que pessoas no quadrante E, não importa se são o presidente da
empresa ou o porteiro, com frequência vão dizer a mesma coisa, que é: “Estou
procurando um emprego seguro, com salário estável e excelentes benefícios”.
Segurança e proteção são fundamentais para pessoas do quadrante E. Já o
mundo do quadrante I, o quadrante do investidor, não é um mundo percebido
como um mundo seguro, que oferece proteção. Ele pode ser, mas não sem o
devido treinamento.
Vale a pena dizer mais uma vez que há uma vasta diferença entre segurança e
liberdade. Meu pai rico frisou que as pessoas nos quadrantes E e A com
frequência querem segurança — segurança de um emprego no caso das
pessoas no quadrante E e segurança de trabalhar por conta própria, sem
depender dos outros, no caso das pessoas no quadrante A.
Pessoas nos quadrantes D e I querem liberdade, então elas focam em ativos
que podem trabalhar para elas. Posso ouvir os gritos de protesto das pessoas
no quadrante A, pessoas que costumam querer fazer as suas próprias coisas.
Mas, antes de protestar, leve em consideração que enquanto a maioria das
pessoas no quadrante A são livres para fazer suas próprias coisas, o problema
é que elas precisam continuar fazendo as coisas, queiram ou não.
Já as pessoas dos quadrantes D e I são livres para não fazer nada e ainda
assim continuar sendo pagas. Essa é a diferença entre esses dois tipos de
liberdade.
O maior erro de todos
Então por que meu pai rico achava que forçar a mudança das pessoas do
quadrante E para o quadrante I era o maior de todos os erros? A resposta,
mais uma vez, é porque elas têm personalidades completamente diferentes.
As pessoas nos quadrantes E e A trabalham por dinheiro.
As pessoas nos quadrantes D e I trabalham para criar e adquirir ativos.
Isso pode parecer uma pequena diferença no papel, mas quando uma pessoa
se aposenta, a diferença é significativa. Sendo um investidor profissional que
passou por anos de treinamento, aprender a “mostrar o dinheiro” mensalmente
gerado pelos meus investimentos não é a coisa mais fácil a fazer, mas é o que
muitos planos de aposentadoria pedem que as pessoas façam.
Uma vez que a pessoa com um plano de contribuição definida se aposenta, ela
é excluída do santuário seguro que é o seu emprego. No caso de muitos, terão
que enfrentar o mundo real pela primeira vez na vida — o mundo real que meu
pai rico enfrentou quando tinha 13 anos de idade, que eu enfrentei aos 32
anos, que meu pai enfrentou aos 53 anos. E que muitas pessoas enfrentam
ainda mais velhas.
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